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Roda do Ano

A Roda do Ano – Representada pelos Oito Sabás, tem por objetivo, sincronizar a nossa energia com as Estações do Ano, ou seja, com os ciclos do Planeta Terra e o Universo. Ela descreve o Caminho do Sol durante o ano, representando as várias faces do Deus (da personalidade/ego/projeção do Eu verdadeiro) : – Seu nascimento, crescimento, união com a Deusa, e finalmente seu declínio e morte. Da mesma forma que o Sol nasce e se põe todos os dias, e da mesma forma que a Primavera faz a Terra renascer após o Inverno, o Deus nos ensina que a Morte é apenas um ponto no Ciclo Infinito de nossa evolução, para podermos renascer do Útero da Mãe.
Para algumas Tradições da Wicca, o ano se inicia no Solstício de Inverno, é conhecida como Halloween ou Dia das Bruxas, mas seu nome tradicional é Samhain, que significa “Sem Sol”, referindo-se ao tempo de Inverno. Essa época também é correspondente ao Ano Novo Judaico.
Samhain

31 de Outubro (Hemisfério Norte) e 1° de Maio (Hemisfério Sul).  

 

Este Festival marca o ano novo celta, assim como o início de uma nova Roda do Ano. Samhain, o festival dos mortos, foi cristianizado como Halloween. Essa é uma época de meditação e reflexão, sobre os ciclos da natureza, da vida e da morte. Época de nos conectarmos com a energia dos nossos antepassados e de todos aqueles espíritos e seres que nos auxiliaram em nossa caminhada, pois é uma época em que, segundo a cultura pagã, o “véu entre os mundos” se torna mais tênue.


Yule
21 de Dezembro (Hemisfério Norte) e 21 de Junho (Hemisfério Sul).
 
Yule é a época do Solstício de Inverno, quando a Criança do Sol renasce, a qual é uma imagem do retorno de toda nova vida através do amor dos Deuses. Os escandinavos tinham um Deus chamado Ullr, e dentro da Tradição Nórdica, Yule é considerado o Ano Novo. Nas demais tribos e povos da Europa pré-cristã, o solstício de inverno era a mais antiga festa sazonal e dada sua importância foi sincretisado com as festividades do Natal Cristão.

Imbolc
1º de Fevereiro (Hemisfério Norte) e 1º de Agosto (Hemisfério Sul).
 
Imbolc, também chamado Oilmec e Candlemas (Candelária), celebra o despertar da terra e o crescente poder do Sol. A Deusa é venerada em seu aspecto de Virgem da Luz e seu altar é decorado com galanto (flor branca), que anuncia a primavera. É a festa da lactação, da bênção aos recém-nascidos, pois a Deusa amamenta o Deus renascido na forma de seu filho.

Ostara
21 de Março (Hemisfério Norte) e 21 de Setembro (Hemisfério Sul).
 
Agora noite e dia são iguais. Em Ostara o Sol aumenta em poder e a terra começa a florescer. Na época do equinócio de primavera, os poderes da fase de armazenamento do ano são iguais aos da escuridão do inverno e da morte. Para muitos pagãos, o jovem Deus, com seu chamado de caça, mostra o caminho com dança e celebração. Outros dedicam essa época do ano a Eostre, a Deusa anglo-saxã da fertilidade.

Beltane

1 de Maio (Hemisfério Norte) e 31 de Outubro (Hemisfério Sul).

 

Os poderes da luz e da nova vida agora dançam e movem-se através de toda a criação. A Roda continua a girar. A primavera dá lugar à primeira floração plena do Verão e os Pagãos celebram Beltane com a dança da fita, simbolizando o Sagrado Casamento entre Deusa e Deus.

Litha 

21 de Junho (Hemisfério Norte) e 21 de Dezembro (Hemisfério Sul). 

 

Litha ou Solstício de Verão. O Deus em seu aspecto de luz está no auge de seu poder e é coroado como o Senhor da Luz. É uma época de fartura e celebração.
Litha marca o primeiro dia do verão e se situa entre Erelitha e Afterlitha no calendário germânico antigo e um dos oito sabás neopagães. O termo é usado especialmente no calendário Asatru.

 
Lammas
1º de Agosto (Hemisfério Norte) e 2 de Fevereiro (Hemisfério Sul). 

Lammas, também chamado Lughnasadh, é o tempo da colheita do trigo, quando os Pagãos colhem o que plantaram, quando celebram os frutos do mistério da Natureza. Em Lammas, os Pagãos dão graças pela generosidade da Deusa em seu aspecto de Rainha da Terra.

 
Mabon 
21 de Setembro (Hemisfério Norte) e 21 de Março (Hemisfério Sul).
 
Em Mabon o equinócio de outono dia e noite tornam-se iguais. À medida que as sombras aumentam, os Pagãos veem as faces mais sombrias de Deus e Deusa. Para muitos, esse rito honra a velhice e a aproximação do inverno.
Mabon (pronuncia-se Mêibon) é também conhecido como Equinócio de Outono ou Lar da Colheita ou Festival da Segunda Colheita. Dia sagrado no paganismo, em especial na religião Wicca. Celebrado no dia do equinócio de outono, que corresponde a aproximadamente dia 20 de março no hemisfério Sul e no dia 22 de setembro no hemisfério Norte (as datas dos equinócios podem apresentar uma variação de até 3 dias de acordo com o ano).

Fecha-se o Ciclo. A Roda continua a girar para sempre. Assim não há motivo para tristezas, pois aqueles que perdemos nessa vida irão renascer, e, um dia, nos encontraremos novamente, nessa jornada infinita de evolução.

A Roda gira e volta a Samhain.

Primeiro dia do outono



Em 2012, no hemisfério do Norte, ocorre no dia 22/Set ás 16:44 (Portugal Continental)
O Sabbat do Equinócio do Outono (também conhecido como Sabbat de Outono, Mabon e Alban Elfed), é o Segundo Festival da Colheita e a época de celebrar o término da colheita dos grãos que começou em Lammas. Também é a época de agradecer, meditar e fazer uma introspecção.

Nesse dia sagrado, os Bruxos dedicam-se novamente à Arte, sendo realizadas cerimónias de iniciação pela Alta Sacerdotisa e pelos Sacerdotes dos Covens. Muitas tradições wiccanas realizam um rito especial para a descida da deusa Perséfone ao Submundo, como parte da celebração do Equinócio do Outono. De acordo com o mito antigo, no dia do Equinócio de Outono, Hades (o deus grego do Submundo) encontrou-se com Perséfone, que colhia flores. Ficou tão encantado com sua beleza jovem que, instantaneamente, se apaixonou por ela, Agarrou-a, raptou-a e levou-a em sua carruagem para a escuridão do seu reino a fim de governar eternamente ao seu lado como sua imortal Rainha do Submundo. A deusa Deméter procurou, por todos os lugares, sua filha levada à força, e, não a encontrando, seu sofrimento foi tão intenso que as flores e as árvores murcharam e morreram. Os grandes deuses do Olimpo negociaram o retorno de Perséfone; porém, enquanto ela estava com Hades, foi enganada e comeu uma pequena semente de romã, tendo, então, que passar metade de cada ano com Hades no Submundo, por toda a eternidade.
Os alimentos pagãos tradicionais do Sabbat do Equinócio do Outono são os produtos do milho e do trigo, pães, nozes, vegetais, maçãs, raízes (cenouras, cebolas, batatas, etc.), cidra e romãs (para abençoar a jornada de Perséfone ao tenebroso reino do Submundo).

Vigília Nocturna de Equinócio de Outono - A descida de Perséphone





 A descida de Perséphone: vigília nocturna de Equinócio de Outono

Equinócio de Outono Sábado 22 de Setembro
Vigília Nocturna: do crepúsculo à alvorada

Criação Corpo Terra Magia

Perséphone é a donzela das flores, filha de Deméter a senhora das sementeiras e colheitas.
Enquanto colhia flores, a jovem Perséphone ou Kore é raptada pelo seu tio Hades, senhor do submundo.
Cativa no mundo inferior, faz a descida dos vários portais, sem que a sua Mãe saiba onde está.
A Terra que Deméter fertiliza fica sem sementes, germinação, alimento. Homens e animais padecem enquanto a Deusa desespera pela falta da filha.
No Submundo, Perséphone permanece cativa, até que Deméter finalmente a descobre. Hades oferece então a Perséphone uma romã: se comer nem que seja um dos bagos Perséphone regressará ao submundo ciclicamente. Se escolher não comer, partirá para não mais voltar.
Perséphone escolhe comer, tornando-se assim a guia, a que orienta e cura as almas que atravessam o mundo inferior, as trevas, a noite.

Perséphone é a alquimista da dor: ela transforma-se de vítima em curadora; de jovem em Sábia, pelos mistérios da menarca e sexualidade.
Perséphone dança com as sombras. Como a Terra Mãe, ela é a que transforma a matéria prima em adubo fértil, é a que permite a passagem vida-morte-vida. A guia, que orienta, mas autonomiza. Quanto mais negra a terra, mais fértil.
Mergulhando no Equinócio de Outono, nos mistérios Eleusinos de Perséphone e Deméter, nos processos de morte, decomposição, fermentação, fertilização. Integrando o pousio, o silêncio, o não ver, não saber e não controlar como partes essenciais da viagem nocturna iniciática.

Dançando a viagem de Perséphone às profundezas do submundo, em círculo ritual aberto.
Re-abrindo os caminhos do corpo, da intuição, da visão. Chorando, libertando, transformando a memória da dor na possibilidade de escolha infinita. Conectando-se com a Terra através da memória da fáscia, dos tecidos conectivos subtis, abrindo o corpo energético e mágico. A energia do extâse em poder criativo no Agora.

A vigília nocturna:
A vigília nocturna recupera a raiz ritual de ser vigilante, de observar consciente e atentamente a noite em si e ao seu redor. É um trabalho ritualistico poderoso, ao mesmo tempo individual e circular, que surge nas celebrações de Sabats e transições de estação. As vigílias apuram o espírito e abrem directamente a visão subconsciente, pelos estados de transformação do cansaço, transcendência natural dos limites físicos e pelo dissolver da barreira consciente/subconsciente; sonhar/acordada.
São um vision quest, uma busca de visão, á qual não poderíamos aceder dentro do quadro da vida habitual, pois requerem um mergulho na naturalidade, simplicidade e espontaneidade do desconhecido.

Valor: 35€
Info/Inscrições: Mizé Jacinto
964372350
mize.l.jacinto@gmail.com

A lista de material necessário será enviada no momento da inscrição.

CAMINHADA NOCTURNA E CÍRCULO DA DEUSA NEGRA

 15 DE SETEMBRO, sábado pela noite

«A Deusa é Libertadora e já foi dito que o seu ofício é a "liberdade total".


A Bruxaria requer liberdade intelectual e coragem para nos confrontarmos com a s nossas próprias convicções. Não é um sistema de crenças, é uma atitude de constante auto-renovação e de alegria e encanto para com o universo» Starhawk, The spiral dance

CÍRCULO DE SETEMBRO:

Para muitas Mulheres não está claro quem é a Deusa Negra, o que é perfeitamente natural.
O medo do escuro traduzido na repressão e incompreensão do Sagrado Feminino Obscuro e misterioso, o temer do seu potencial de transformação, do poder pessoal e comunitário são ainda uma questão profunda.
Atravessar o reino dos medos, confrontar-se com o não ver, o não saber e o não ser é tão assustador como libertador.
É o caminho da Serpente, que muda de pele, que se rasga e dilacera, mas que se expande e recria.

Assim, no círculo de Setembro, para além da conexão ritual a que o bosque nocturno convida, abriremos o Livro de Sombras, ou seja, a visão consciente e concreta do Caminho das Sombras. Para além de experimentar pouco a pouco e a cada momento mais profundamente o caminho indizível da Deusa Negra, complementaremos a prática com conceitos históricos, culturais, sociais, tão místicos como precisos e incisivos na sua presença pessoal e social.


Considerações sobre O Caminho da Sombra:

Para conhecer mais claramente a Deusa Negra:
- origem mitológica e aspectos simbólicos e transversais a várias culturas
- aspectos arquetípicos e sua influência na psyche e nas nossas vidas
- faceta vivencial e mística da Sombra
- a importância da escuridão nos processos da alma
- a morte, a impermanência, a sabedoria
- o medo e a visão
- a conexão profunda com a Terra Mãe
- a via desnuda
- a morte iniciática
- o parto da alma
- a travessia entre mundos
- a senhora das Magas
- aspectos ocultos da Deusa e aspectos socialmente reprimidos ou mal interpretados da sua faceta negra
- Meditação Mágicka: Entrega , Observação e Silêncio

Local: Sintra, Monte da Lua

Valor: 10€

Informações/ inscrições:

Iris 96 514 39 73
contacto@irislican.com

Horário e ponto de encontro:

19h00, rotunda do Ramalhão (bombas da BP à saída da IC 19)
(por favor seja pontual, às 19h30 partiremos )

Samhain e Halloween



A origem pagã do Halloween tem a ver com a celebração celta chamada Samhain, que tinha como objetivo dar culto aos mortos.
A invasão das Ilhas Britânicas pelos Romanos (46 A.C.) acabou mesclando a cultura latina com a celta, sendo que esta última acabou minguando com o tempo.

31 de Outubro comemorado o Dia das Bruxas

Em fins do século II, com a evangelização desses territórios, a religião dos Celtas, chamada druidismo, já tinha desaparecido na maioria das comunidades.
Pouco sabemos sobre a religião dos druidas, pois não se escreveu nada sobre ela: tudo era transmitido oralmente de geração para geração. Sabe-se que as festividades do Samhain eram celebradas muito possivelmente entre os dias 5 e 7 de Novembro (a meio caminho entre o equinócio de verão e o solstício de inverno).
Eram precedidas por uma série de festejos que duravam uma semana, e davam início ao ano novo celta. A “festa dos mortos” era uma das suas datas mais importantes, pois celebrava o que para nós seriam “o céu e a terra” (conceitos que só chegaram com o cristianismo).
Para os celtas, o lugar dos mortos era um lugar de felicidade perfeita, onde não haveria fome nem dor. A festa era celebrava com ritos presididos pelos sacerdotes druidas, que atuavam como “médiuns” entre as pessoas e os seus antepassados.
Dizia-se também que os espíritos dos mortos voltavam nessa data para visitar seus antigos lares e guiar os seus familiares rumo ao outro mundo.
A relação da comemoração desta data com o “Dia das bruxas” propriamente dita teria começado na Idade Média no seguimento das perseguições incitadas por líderes políticos e religiosos, sendo conduzidos julgamentos pela Inquisição, com o intuito de condenar os homens ou mulheres que fossem considerados curandeiros e/ou pagãos.
Todos os que fossem alvo de tal suspeita eram designados por bruxos ou bruxas, com elevado sentido negativo e pejorativo, devendo ser julgados pelo tribunal do Santo Ofício e, na maioria das vezes, queimados na fogueira nos designados autos-de-fé.

Halloween nos dias de hoje

Se analisarmos o modo como o Halloween é celebrado hoje, veremos que pouco tem a ver com as suas origens: só restou uma alusão aos mortos, mas com um caráter completamente distinto do que tinha ao princípio. Além disso foi sendo pouco a pouco incorporada toda uma série de elementos estranhos tanto à festa de Finados como à de Todos os Santos.
A Roda do Ano é o que simboliza a concepção de tempo dos pagãos, principalmente dos wiccanos. Os Sabbaths ocorrem oito vezes ao ano, levando-se em conta a posição da Terra com relação ao Sol: Equinócios e Solstícios. Por isso, as celebrações são consoante a nossa localização, por exemplo, no Hemisfério Norte celebra-se em 31 de Outubro o Samhain e no Hemisfério Sul o Beltane.

Samhain nos dias de hoje

Os praticantes de diversas religiões inclusive neopagãs celebram-no, como por exemplo a Wicca. Ele é celebrado no dia 31 de Outubro no hemisfério norte e 30 de abril no hemisfério sul. Essa diferença existe porque as estações são invertidas de um hemisfério para o outro.
Esta é a primeira e ultima celebração do ano wiccano pois é quando o ano acaba e começa (nota que o ano celta é cíclico).
Este é igualmente um dos oito sabbats com maior relevância, pois é a noite em que o caos primordial retorna para o inicio do novo ano, é por isso a noite em que o mundo dos vivos se mistura com o dos mortos, sendo deste modo a melhor altura para contactar os mortos.
Os Celtas não acreditavam em demónios, mas determinadas entidades magicas eram consideradas hostis para os humanos, seus animais e colheitas. Deste modo muitas pessoas pregavam partidas aos seus vizinhos, desde trocar os gados, por figuras humanoides em locais para assustar, ao qual se tornou muito famosa a Jack o’Lantern ou a famosa abóbora iluminada de Halloween.

Beltane nos dias de hoje

Oposto ao festival Samhain, o Beltane é um festival da fertilidade, simbolizando a união entre as energias masculina e feminina, onde os pagãos comemoram o casamento dos Deuses.
Durante o festival, eram acesas fogueiras nos topos dos montes e lugares considerados sagrados, sendo um ritual importante nas terras Celtas. E como tradição, as pessoas queimavam oferendas como, por exemplo, totens ou animais para que o poder do fogo fosse passado ao rebanho e, pulavam as fogueiras para que se enchessem das mesmas energias poderosas.
Representa o início do Verão e marca a morte do Inverno, sendo comemorado com danças e banquetes. Ocorre em 1 de maio no Hemisfério Norte e 1 de novembro no Hemisfério Sul.

Feliz Samhain para todos!

 

Sabbaths


Os principais rituais Wiccanianos são os Sabbaths, que celebram as mudanças das estações do ano e o percurso do Deus Sol ao longo dos ciclos sazonais. Na Wicca, o ano é uma grande Roda, sem começo nem fim, e por isso os oito Sabbaths são chamdos conjuntamente de Roda do Ano. Eles possuem grandes significados e são uma das chaves principais para o entendimento de nossa religião.
A Wicca vê uma relação profunda entre o ser humano e o ambiente onde ele vive; prega que a Natureza é a própria manifestação dos Deuses, e por isso, celebramos a mudança das estações. A Roda do Ano é vista como um ciclo ininterrupto de vida, morte e renascimento. Assim, reflete a passagem das estações do ano, bem como as tranformações humanas internas e externas provocadas por elas, e a ligação de cada pessoa com o mundo. Todo o que vive e respira é divino. Celebrando a vida ao longo das mudanças das estações estabelecemos contato com o mundo dos Deuses atraindo as energias do mundo natural para dentro de nós e alcaçando a unidade com o mundo divino.
Uma Bruxa (o) procura sempre se conectar com a Natureza em todas as suas manifestações, não só observando, mas também sentindo o seu fluxo e as mudanças que elas provocam em sua vida cotidiana. Os mistérios da Deusa e do Deus e seus diferentes aspéctos estão contidos em cada estação. A Roda do Ano simboliza a história ancestral da Deusa e o ciclo de morte e renascimento do Deus, seu Filho e Consorte.
A Roda do Ano Wiccaniana possui dois significados:


- Roda de Celebração da Natureza: todos os Covens (grupos de Bruxas - os) e Wiccanianos Solitários se reunem no dia se Sabbath para celebrar a Deusa e bençãos que Ela concede à Terra nas mudanças das estações.
- Roda de Iniciação: expressa os ensinamentos dos Antigos por meio das estações, pois os Deuses e a Natureza são uma coisa só.

Os Sabbaths são celebrados com fogueiras (quando possível), velas, cânticos e comidas sagradas. Nessas cerimônias, as Bruxas (os) agradecem pelas bençãos de fartura e abundância em suas vidas.
Alguns sítios arqueológicos que antecedem o Neolítico, como Stonehenge, eram utilizados como calendários naturais - marcavam a mudança e os ciclos das estações, revelando que tais datas eram consideradas momentos importantes para as civilizações antigas.


As Tradições e a Simbologia da Roda do Ano


A Roda do Ano é dividida em em Sabbaths maiores, chamados Samhain (lê-se Souen), Imbolc, Beltane (lê-se Beltaine) e Lammas, que celebram o ciclo agrícola da Terra, marcando a semeadura, o plantio e a colheita, e cujo nome e origem são celtas; e quatro Sabbaths menores, chamados Yule, Ostara, Litha e Mabon - que marcam os Equinócios (meio de uma estação) e Solsticíos (fim de uma estação), e a trajetória do Sol pelo Céu.



*Samhain: celebrado no dia 1º de maio no hemisfério sul e 31 de outubro no hemisfério norte, trata-se de uma data Pagã mais importante, que marca o ano novo Bruxo. Para os antigos povos, não era só considerado um momento de poder, mas também o tempo em que o véu que separa os mundo encontrava-se mais tênue, quando os Deuses e Ancestrais podiam se encontrar com os homens. Por isso é aconselhável de iniciar nesta data, pois a ligação entre os mundos é bem maior.
Por ser também uma celebração dos ancestrais, este Sabbath alude a morte que, para os Pagãos, é encarada como parte da vida, sempre abrindo caminho para o novo. Todos os antepassados e aqueles que já partiram para o País de Verão (assim é chamado o Outromundo Pagão, um lugar de descanso e alegria onde as almas, entre uma encarnação e outra, resgatam suas energias) são relembrados e seus espíritos são convidados para fazerem parte dos rituais. Como a morte lembra finalização, neste Sabbath faz-se uma profunda meditação/ reflexão sobre o término das relações, trabalhos e períodos de vida que precisam passar e sobre tudo aquilo que precisamos abandonar.
Uma das tradições desta cerimônia consiste em deixar um prato e lugar à mesa para os ancestrais. À meia-noite acende-se uma vela laranja para guiar os espíritos em sua viajem à Terra.
O Sol estará em seu ponto mais baixo no horizonte e nas seis semanas seguintes ao Samhain o Velho Rei morrerá e a Deusa Ãncia lamnetará a sua ausência. Por ser o primeiro dia do ano-novo celta e do inverno, Samhain é um tempo ideal para términos e começos.


*Yule: celebrado no solstício de Inverno, que ocorre por volta de 20 de junho mo hemisfério sul e 20 de dezembro no hemisfério norte, é o momento de celebrar o retorno do Sol. Depois das longas noites de inverno, o Sol voltará a brilhar e os dias se tornarão gradativamente maiores, até serem mais longos que as noites.
Para os povos antigos o clima era algo extremamente importante, uma vez que passavam a maior parte do tempo livre. Exatamente por isso, o solstício de inverno era uma data reverenciada, anunciando apromessa do Sol, da luz e da fertilização da vida. O Deus como a Criança da Promessa (o Sol nscente e crescente) era celebrado para trazer calor e luminosidade. Yule assinala a esperança de um novo tempo, abrindo caminho para inúmeras possibilidades.
O solstício de inverno era celebrado com luzes, fogoe a tradicional "Árvore de Yule" - com enfeites e bolotas de carvalho -, que foi posteriormente assimilada pelo Cristianismo, tranformando-se na Árvore de Natal. Também é tradição nesse Sabbath confeccionar uma "Yule Log" (Tora de Yule): uma vela branca, uma preta euma vermelha (representando as três faces da Deusa) são dispostas no meio de um pequeno tronco deitado e acesas enquanto são feitos pedidos. A Yule Log é guardada até o ano seguinte, quando deve ser queimada.
Yule representa o retorno da Luz, quando na noite mais fria do ano a Deusa concebe o Deus Sol, a Criança da Promessa. Ele traz fertilidade e calor à Terra e assim as esperanças renascem.


*Imbolc: celebrado no dia 1º de agosto no hemisfério sul e 2 de fevereiro no hemisfério norte, a palavra Imbloc significa "no leite" e marca o período de lactação das ovelhas e do gado na Europa. Era o momento mais frio do ano, quando não havia mais lenha disponível para as fogueiras, tão comuns nas celebrações dos Sabbaths. As celebrações então tomavam forma nas procissões de velas que percorriam o arado para purificar a terra, preparando-a para o plantio de novas sementes. Este era também o dia consagrado a Brigith, a Deusa celta do fogo, do lar, da família, da cura e da fertilidade. As muitas velas respresentavam poder e luz do Sol que se aproximava com a chegada da Primavera.
Um costume tradicional deste Sbbath é colher um ramo verde e deixá-lo pendurado em algum lugar dentro de casa, para abençá-la com novas energias.
Imbolc é o festival que celebra a luz nas trevas. É o momento ideal de se banir remorsos, culpas e de se planejar o futuro. A Deusa está cuidando de seu bebê, a Criança do Sol (Deus). Ela e seu Filho afastam o inverno e o Deus cresce forte e poderoso. Nessa celebração, honra-se a Deusa Brigith por ter tido aceso o fogo das lareiras durante as noites escuras e frias de inverno.



*Ostara: celebrado no equinócio da Primavera, que ocorre por volta de 20 de setembro no hemisfério sul e 20 de março no hemisfério norte, o equinócio da Primavera, festejado por inúmeras culturas ao longo da história, celebra a renovação da Terra e a chegada das flores.
Em Ostara a Deusa se apresenta como a Donzela da Primavera e o Deus como um jovem guerreiro. Sua união será consumada mais adiante no Sabbath de Beltane, quando a Deusa - Terra - e o Deus - Sol - trarão a germinação das sementes plantadas na época da Primavera.
Uma das tradições de Ostara é pintar ovos com símbolos e cores que represente nossos desejos e depois "plantá-los", ou depositá-los, no pé de uma árvore frondosa e florida. O ovo representa a semente dos nossos sonhos que quando deixada sob a terra germinará nos concedendo bençãos.
Ostara representa o momento de união e amor entre a Deusa (Lua) e o Deus (Sol), pois é um período de igualdade e equilíbrio entre as forças da natureza. É o momento ideal para se fortalecer a energia de complementariedade entre homem e mulher, momento de "plantar" e cultivar nossas "sementes".


*Beltane:
celebrado no dia 31 de outubro no hemisfério sul e 1º de maio no hemisfério norte, Beltane, que pode ser traduzido literalmente como “Fogo de Bel” ( antigo Deus Celta do Sol), é a celebração máxima do fogo, a festa que celebra o meio da Primavera, a preparação para a chegada do Verão e, consequentemente, da fertilidade esperada para o próximo ano. Neste Sabbath um homem e uma mulher são escolhidos nos rituais de Covens para representar o Deus e a Deusa, o Senhor e a Senhora da Primavera. O gado e as pessoas passavam pelo fogo para serem purificados, ao mesmo tempo que a fumaça assegurava fertilidade e bênçãos.
Uma das tradições desse Sabbath é colher nove gravetos de árvores diferentes e enfeitá-los com lindas flores e fitas e queimá-los no fogo enquanto são feitos pedidos. É o período em que o Deus atinge a força ematuridade para se unir à Deusa e, juntos, trazerem o calor, luz e germinação às sementes da Terra que serão colhidas mais tarde, em Lammas. Tempo de celebrar a vida em todas as suas formas. É o momento de dar boas vindas ao Verão, um momento de equilíbrio, no qual nos despedimos das chuvas e as colinas e vegetações assumem tons dourados. A Deusa e o Deus, estão em plena vitalidade e se amam de modo intenso. É a época da união entre os princípios masculinos e femininos da criação, a união dos poderes que trazem à vida todas as coisas.
Um dos símbolos mais conhecidos associado a este Sabbath é o Mastro de Maio, ou Mastro de Beltane, que representa o falo do Deus. Ele é sempre ornado com uma coroa de flores que simboliza a vulva da Deusa enquanto fitas multicoloridas são entrelaçadas pelos participantes, umas nas outras, até que todo o mastro já esteja coberto por elas, representando a união dos Deuses.


*Litha:
celebrado no solstício de Verão, que ocorre por volta do dia 20 de dezembro no hemisfério sul e 20 de junho no hemisfério norte, Litha representa o apogeu do Sol – o solstício de Verão. É o dia mais longo do ano, mas a partir dele as noites serão pouco a pouco mais compridas, até se tornarem mais longas que o dias, trazendo novamente o Inverno à Terra.
Neste dia, o Deus atinge a maturidade, acontecimento que era celebrado com grandiosas fogueiras pelos povos celtas. As fogueiras representam o grande poder do Rei Solar concedendo energia ao astro para que o Verão dure mais tempo e o Inverno não seja tão rigoroso. Os Pagãos, como muitos outros grupos religiosos, sempre reconheceram o poder de força e criação do Sol. Este é o tempo ideal de celebrar a vida e o crescimento.
Uma das Tradições do Solstício de Verão consiste em colher flores em um parque, bosque ou jardim e levá-las até uma fonte cristalina, oferecendo-as ao Povo das Fadas, facilmente acessado nesta data.
Em Litha celebra-se a abundância, a luz, a energia, o calor e o brilho da vida proporcionados pelo Sol. Nesse instante o astro transforma as forças da destruição por meio da luz do amor e da verdade. Litha é o auge do poder solar – a Deusa foi fertilizada pelo Deus. A partir desse momento, o Deus Sol iniciará a sua caminhada rumo ao País de Verão, morrendo em Samhain.

*Lammas:
celebrado no dia 1º de agosto no hemisfério norte e 2 de fevereiro no hemisfério sul, também conhecido como Lugnashad, Lammas é o Sabbath da primeira colheita, um tempo em que os grãos eram colhidos, pães eram feitos e fartura voltaria a reinar. Neste momento fazia-se oferendas de agradecimento aos Deuses, sementes eram consagrados para serem plantadas posteriormente e o Deus Ra celebrado como o Senhor dos grãos, que fazia o seu primeiro sacrifício para nutrir os filhos da Deusa.
Uma das tradições deste Sabbath é fazer uma boneca de milho ou de trigo e colocá-la em algum lugar da casa para representar a Deusa como s Senhora da colheita. Acredita-se que este ritual assegure a continuidade da abundância em nossas vidas.
Lammas é o festival celta que homenageia o Deus Sol (Lugh). Ele agora se transforma no Deus das Sombras, doando sua energia às sementes para que a vida seja sustentada, enquanto a Mãe se prepara para assumir o papel de Anciã. Esse poderoso ritual enftiza a relação do fogo com os Deuses da vida e a centelha da criação. Tempo de agradecer o que se começou a receber e sacrificar o que for possível para se receber mais.

*Mabon:
celebrado no equinócio de Outono, que ocorre por volta do dia 20 de março no hemisfério sul e 20 de setembro no hemisfério norte, Mabon marca o festival da segunda colheita. Afora, o Sol caminha mais rapidamente em direção ao Inverno e o plantio feito no Sabbath de Ostara alcança a sua colheita final, iniciada em Lammas. É hora de agradecer a abundância e a fartura e também de se reconhecer o equilíbrio da vida, pois nos equinócios dia e noite possuem o mesmo tempo de duração.
Neste momento os povos antigos começavam a esticar seus alimentos e armazenar os grãos que houvesse comida suficiente durante o período de Inverno.
Mabon é o festival de ação de graças Pagão, quando são lembradas as conquistas. Por isso, uma das tradições deste Sabbath é colocar um cálice de vinho no centro da mesa do almoço ou jantar e deixá-lo passar de mão em mão enquanto cada pessoa presente faz agradecimentos e expressa seus desejos de felicidade.
Tempo de equilíbrio, gratidão; de meditar sobre escolhas e agradecer tudo que se obteve no ano que passou. A morte do Deus, que doou todos os seus poderes aos humanos nas colheitas, está por vir.


Existe muito simbolismo na Roda do Ano e ao entendê-la, assimilá-la e integrá-la ao seu modo de vida você estará compreendendo a essência da religião Wicca e da Bruxaria.
A Roda representa o modo como os Wiccanianos vêem o universo, celebram os ciclos da natureza e entendem seus refluxos em nosso viver.
Sempre girando, estes ciclos internos e externos irão retornar à sua fonte primordial de energia, ao seu inicio, começando e terminando muitas vezes, mostrando que depois da morte sempre há renascimento. Isso é refletido no cair das folhas e brotar das flores; no germinar das sementes e na colheita dos grãos semeados, consumidos e replantados; no apogeu e declínio do Sol.
Atualmente, com os avanços científicos e tecnológicos, talvez seja difícil compreender como uma religião das antigas civilizações agrárias pode fazer sentido nos tempos modernos e o que ela tem a nos oferecer. Para responder a esse questão basta olhar a sua volta. A o fazer isto você vai perceber que independente de sua vontade as estações continuam mudando e que a força da natureza é infinitamente maior que todos os avanços alcançados pelo homem moderno. Conhecendo o que acontece no mundo e em nosso redor, será mais fácil compreender de onde viemos, onde chegamos e as possibilidades que nos aguardam. A Roda do Ano nos mostra que o universo reflete o ciclo da mudança, sempre em movimento.


Fonte:
Retirado e adaptado de "Wicca para Bruxos Solitários" de Claudiney Prietto.

Wicca

Wicca (nome alternativo para a arte da feitiçaria moderna) é uma religião de natureza xamanística, positiva, com duas divindades maiores reverenciadas e adoradas em seus ritos: A Deusa (o aspecto feminino e divindade ligada à antiga Deusa Mãe em seu aspecto triplo de Virgem, Mãe e Anciã.) e seu consorte, o Deus Cornífero (o aspecto masculino). Seus nomes variam de uma tradição wiccaniana para outra, e algumas utilizam-se de outros panteões para representar várias faces e estados de ambos os Deuses. Frequentemente, Wicca inclui a prática de várias formas de Alta Magia (geralmente com propósitos de cura psíquica ou física, neutralização de negatividade e crescimento espiritual) e ritos para a harmonização pessoal com o ritmo natural das forças da vida marcadas pelas fases da lua e pelas quatro estações do ano.